segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ora uma cena, ora um cenário.

Tudo pode ser motivo pra uma briga. Em uma briga, cria-se a pré-disposição ao choro. Com o choro, afloram os questionamentos. A partir dos questionamentos, a reflexão é posta em prática. Ao refletir, se perde o sono. Sem sono, não há bom humor. Sem humor, qualquer coisa pode ser motivo para uma briga. Nas brigas, as pessoas se agridem. As agressões ferem. As feridas deixam cicatrizes. As cicatrizes, de tempo em tempo, são como a insônia. O tempo acordado é de mau grado. Sem tempo dormido, não há saída. É quase como uma cantiga de roda, porque circula, circula, circula... parece que o objetivo é voltar ao lugar onde tudo começou.
É mesmo preciso tudo isso para que, no fim do dia, possamos dizer um ao outro o quanto nos amamos?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

aquela música que você ouve sem parar.
e repete.
e ouve mais e mais.
e mais.

e você precisa dela. simplesmente precisa. mas não sabe porquê.

e, de repente, você descobre que ela tem tudo a ver com o seu momento. com a sua questão. com o seu pesar. ouvir com o seu inconsciente. ouve!

Whatever tomorrow brings I'll be there
With open arms and open eyes, yeah

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Considerações sobre a humanidade.

É tiro certeiro: se viver tempo suficiente pra cometer uma estupidez e sobreviver a ela, vai clamar seu feito a quem quiser ouvir - e aos que não quiserem também, pois, na vida, tudo é uma questão de oportunidades. Ah, sua mal agradecida! Você está tendo oportunidades que eu nunca tive! Grande coisa. Por acaso alguém me perguntou se alguma dessas oportunidades se relacionava, de alguma maneira, com as minhas vontades? Porque, até aí... todas as vezes que vou ao banheiro, deixo escapar uma incrível oportunidade de me alimentar do meu próprio trabalho... Os pais deveriam cobrar menos dos seus filhos e mais de si mesmos, quem sabe. E as crianças... bem, elas poderiam ouvir um pouco menos do que dizem os seus pais. Isso, sem dúvidas, provocaria mudanças tão profundas na nossa sociedade, nos relacionamentos interpessoais, nos tipos que iriam existir... bem, talvez seja mesmo bom que a minha ideia continue sendo ignorada.
A despeito de tudo isso, o fato é que, numa determinada altura da vida, todos resolvem escrever uma auto-biografia. É só ficar por aqui durante um período relevante de experiências que essa ideiazinha acomete qualquer criatura. Felizmente, várias delas desistem antes mesmo de colocá-la em prática. Infelizmente, o mundo é cheio de gente, então a evasão não é tão significativa a ponto de nos proteger satisfatoriamente da exposição à muitos lixos "culturais" - "culturais" porque foram produzidos por uma cultura, questionável, sim, porém ainda uma cultura, um laço que une vários indivíduos, e não no sentido mais carregado de valor que a palavra pode assumir.
São atores do submundo gemendo seus garranchos, profissionais liberais dissertando sobre seus serviços, políticos derrotados e políticos vitoriosos fazendo campanha de suas peripécias plenárias, palhaços chorões nos deprimindo com suas mazelas de vida circense e deprimidos do povo nos inspirando com sua ascensão. Tudo vale. Mas quase nada presta. O presente, inclusive... Mas, bem... pelo menos, eu tive a decência de avisar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Às vezes é de noite, todo mundo já dormiu e tá o maior silêncio. Daí eu desligo o meu computador, vou ao banheiro e ligo o secador de cabelos. Eis o surpreendente: sai música dele.
Tá, não é bem assim, mas eu não queria perder a imagem formada pelas palavras, soaram dum jeito bem legal. O fato concreto é: ligo o secador e seu ruído parece estar encobrindo muitos sons que não existiam antes dele. Daí desligo o secador. Silêncio de novo, embora com algum eco daqueles sons que eu pensava ter ouvido por detrás do ruído do secador. E quando o ligo de volta, a mesma coisa. E quando desligo, também.
Cansei de investigar esse mistério. Ele é muito teimoso. E, no fim de tudo, eu consigo me deitar com os cabelos secos.

14/10/2010

Se eu errei... me desculpe. Mas deixo claro que eu não erro.

Ilustríssima frase enunciada por um porco prepotente que foi responsável pelos meus ensinos de Geografia. Já tem um tempo.
Com certeza já ouvimos falar de identificação projetiva... mas será possível falar em projeção identificativa? Apesar disso parecer conceitualmente um pouco confuso e improvável - afinal, projetar algo que foi identificado? Talvez seja uma dialética pulsional, de modo que o materialismo histórico confirmou a projeção que foi identificada: projetei, identifiquei, o fato realmente existia, o que confirmou a identificação, daí projetei de novo (porque não quero em mim): todo o ódio pelo sujeito. Em palavras menos imbecilmente complicadas: eu sou tão nojenta quanto esse asqueroso. Eu me provoco náuseas - sem ter bulimia, em vias de fatos. Sou uma gordinha com anorexia sentimental. Ridícula, estúpida. Nojenta.
Mas isto sou eu, então é melhor eu cuidar do que tenho.
Foi um combo. Vários, direto na cara. Mas é bom pra aprender. Se tivessem tirado sangue, a cicatriz serviria pra me fazer lembrar. Pra não deixar esquecer. Como faço, se a cicatriz é imaterial? Será que consigo me lembrar, por mim mesma? (yn)

13/10/2010

Há uma singularidade dentro de mim - eu me habito.

Eis a sincronicidade agindo, sim, Jung? Muito embora isso também possa ser chamado, por outros, de atenção voluntária polarizada para aspectos do nosso cotidiano mais especificamente relacionados aos nossos sentidos. Ceticismo histórico-dialético ou excentricidades psicanalíticas, eis o fato: acontece de novo. E de novo.
E, mais uma vez, acontece. Está na hora de parar e observar. Só observar.
Muitas comidas não tem sabor, eu simplesmente as como compulsivamente. Muitas bebidas não são satisfatoriamente percebidas pelo paladar, apenas as bebo pelo alívio que trazem - ao calor, à sede ou às aflições. A maioria das nuances é incrivelmente ofuscante ou inexpressivamente opaca, eu só as encaro com os olhos semi-serrados. Os cheiros são intensamente ineficientes - poucos levam informações ao cérebro. O tempo todo, as texturas estimulam freneticamente, mas o atrito macio pouco me permite ter tempo para deleitar-me das superfícies. Quanto aos sons, tudo o que eu ouço é música - não que todos os sons sejam musicais, mas apenas a música é audível.
Com tudo isso, finalmente percebo uma questão muito deprimente: tenho vivido numa condição de anestesia vital.

"All my senses can say/ that I am getting into a good way/ but I have a problem here, baby!/ My senses just cannot feel".
07/10/2010

Sobre desidealização.

O grande problema é acreditar piamente que o impossível pode. O problema ainda maior é que ele pode: ele pode nos cegar em relação ao possível, ele pode arruinar as possibilidades, ele pode desvalorizar tudo aquilo que não existe nele - e nele nada existe.

05/10/2010

Não saudável, mas tentando.

procurando estabelecer o equilíbrio, da forma como for possível. O esforço da vida para ser vivida. E, aí, cabe-nos procurar sentido para que ela seja vivida. Vale a pena ser vivida, a vida?

05/10/2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O deus sou eu.

preocupações com dinheiro... temporariamente resolvidas.
preocupações com os trabalhos e, pior, a data de suas entregas... ainda não tão urgentes.
que preocupação é essa, então? dor no peito, de estômago, mal estar generalizado, canseira que vem sei lá de onde.
preocupações com o corpo, mesmo com exames de sangue demonstrando que estou com uma saúde razoavelmente satisfatória.
que tipo de preocupação é essa... que está em todos os lugares, assume todas as formas e não se mostra em nenhuma configuração original e/ou específica? Oh! Seria isso a manifestação divina?
pois é. eu tenho o deus em mim.

obs: odeio os narcisistas - os explicitamente narcisistas, é claro... talvez porque lhes falte um pouco de classe em sua forma de atuação. Sejamos refinados, por favor.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

será?

será que tão te dando comida? será que tão cuidando bem de você? será que tão brincando com você? será que você tá dormindo num lugar confortável? será que você tá bem?

muita saudade. com certeza. obrigada pelo tempo que ficou comigo. e pelo que fez comigo.

domingo, 19 de setembro de 2010

o psicótico possui um argumento muito sedutor, seu discurso pode ser muito lógico e totalmente convincente. Como perceber a sutileza psicótica? "sair do mundo". Está lançado um desafio - extremamente difícil de ser superado, pois o mundo da fantasia é satisfatório, o que faz com que os argumentos a seu favor sejam bem mais cativantes. Existe um único argumento que lhe contrapõe e tem algum peso, que é o de que ele não é um mundo real, é apenas uma fantasia. Ok. Mas, até aí, por que deveríamos acreditar num julgamento que diz que a realidade é melhor que a fantasia? Se sinto como real, então...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

16/09/2010

Por que não fazer do jeito que estou com vontade? Quis colocar a data no canto direito, em cima – para isso, tive de lutar duas vezes, munida de borracha, contra a caixa destinada a esse tipo de registro no canto esquerdo e superior da página. Mas, antes da data, o problema (ou a solução) foi com o lápis! Me deu uma vontade escrever a lápis, de dizer a palavra lápis, de repetir “lápis, lápis, lápis...”
Indefinidamente, tal como usar essa borracha plástica – branca e macia – e retornar ao apontador o lápis! Que saudades dessas coisas que nunca vivi... apontadores e lápis de escrever não são coisas presentes nas minhas memórias, mas, agora, estão me despertando uma intensa nostalgia. Nem mesmo a borracha... ela era verde e um pouco dura. Às vezes borrava a página. Que coisa singela lembrar da minha mãe apontando os meus lápis de cor com um estilete. Que sensação de inocência me provoca a lembrança do meu pai me mostrando os lápis que meu avô teria deixado como lembrança – porque ele fazia desenhos industriais e queria ver a neta arrasando no mesmo ramo. Mas quanto a isso não consigo sentir nada.
Sabe, acho que havia conhecido poucas histórias até sair de casa... quantas histórias poderei conhecer até sair do mundo? Será que é algo em que deveria investir? Mostre-me. Quais são os seus argumentos mais sedutores. Eu direi se eles me encantarem.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quantas horas eles passam olhando pra TV, diariamente? Eles passariam um terço desse tempo olhando um para o outro? Eles passariam um quarto desse tempo ouvindo o outro contar sobre o seu dia? Eles passariam um quinto desse tempo compartilhando um silêncio e uma refeição? Eles passariam um minuto se amando mutuamente, sem precisarem de absolutamente nada para isso? Será que nós passaremos metade de nossas vidas vivendo mediocremente? Quanto tempo de reflexão é preciso, por dia, para sabermos as respostas de todas as nossas questões existenciais? Aliás... mais que isso! Quanto tempo não seria preciso para que pudéssemos formular adequadamente essas questões? Uma quinta sem nada pra fazer... num velho refúgio, que é hostil e aconchegante.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

26 de agosto de 2010. Um tempo depois.

Imagino o suicídio como uma implosão alternativa, explodindo pra dentro o que não consegue ir pra fora. E vejo, todos os dias, os suicídios paliativos, sutis e sucessivos.
Eles podem se manifestar como implosões explosivas, que poderão ser caracterizados como uma síncope, outra espécie de surto ou nervosismo, mas também como explosões surdas e poderosas, que daí serão caracterizados, muito provavelmente, como uma depressão ou como apatia e baixa responsividade.
No fim, o nome que damos não muda o que a coisa é. Ela é. Mas pode ser que mude o modo como nos relacionamos com ela. E isto pode ser um problema, porque acabamos nos esquecendo de que até mesmo o ataque pode ser um pedido de socorro.
Como deveríamos nos relacionar com a nossa própria destrutividade? Aniquilação de si, anulamento do outro e fim dos problemas? É bem verdade que concentro tudo o que me cabe nos relacionamentos que estabeleço e não nas coisas que obtenho, produzindo relações criativas - porque eu me canso fácil. Insatisfeita condição humana.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sobre um nariz muito especial...

que aspira a uma vida melhor - agora sabendo que toda vida pode ser melhor do que está, porque não existe uma que seja a melhor.
Há um mês os ares mudaram e o que eu mais quero é poder respirar mais disso tudo - sentir os cheiros que fazem mudar o sabor das coisas.
Todos os dias tem sido mais doces, as tarefas tem tido uma textura mais suave e as noites tem sido mais apetitosas.
Quero degustar montes desses aromas, experimentar as novas sensações que eles trazem e viver intensamente o que tiver pra ser vivido. E, quando isso se esgotar, quero ter criatividade para desenvolver novas vivências, resignificando os cheiros e transformando, mais uma vez, os então velhos sabores.
Isso porque eu não vejo cores, eu sinto cheiros.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

tudo são cascas de cebola

showmício psicanalítico. foi tenso.

e ontem eu lembrei duma coisa que me deixou feliz - felicidade atípica... inconvencional... inconveniente... sei lá. mas eu gosto!
tenho ao meu lado uma pessoa que é decente e, além disso, faz isso por mim. é perfeito.

dá-lhe análise!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"A vida custa um bocado de tempo e um monte de relacionamentos"

transcrito dum livro que, acredito, tenha recentemente se tornado um best-seller. Ainda não o li todo. Por enquanto está interessante. A Cabana, à disposição para qualquer eventual interesse.
Tou pegando o ritmo das aulas, ainda que lentamente, eu acho... lendo o tal livro, 'vi psicanálise' de um jeito bem claro em vários momentos dele. Precisando voltar à forma. Na academia também.

"Se você quiser ir só um pouquinho mais fundo, poderíamos falar sobre a natureza da própria liberdade. Será que liberdade significa que você tem permissão para fazer o que quer? Ou poderíamos falar sobre tudo o que limita a sua liberdade. A herança genética de sua família, seu DNA específico, seu metabolismo, as questões quânticas que acontecem num nível subatômico onde só eu sou a observadora sempre presente. Existem as doenças de sua alma que o inibem e amarram, as influências sociais externas, os hábitos que criaram elos e caminhos sinápticos no seu cérebro. E há os anúncios, as propagandas e os paradigmas. Diante dessa confluência de inibidores multifacetados - ela suspirou -, o que é de fato a liberdade?"

Disso... não que eu concorde plenamente com tudo o que foi ou com o jeito como foi dito. Mas tem bastante coisa interessante aí. Algumas coisas... bem, é o que venho dizendo.


domingo, 11 de julho de 2010

I was looking for a balm...

Lacan: as drogas são concebidas como sendo uma das formas pelas quais o sujeito pode evitar de ter de voltar a confrontar-se com a castração, obturando, assim, a angústia que surgiria como resultado lógico do seu encontro com o desejo do Outro, desejo que, enquanto tal, é marcado pela impossibilidade da existência de um objeto que o satisfaça por completo.

Assim... me parece que a gente tá fazendo tudo errado, o tempo todo. Para lidarmos com os usuários de drogas, se entendermos a sua prática como um problema e procurarmos intervir nessa situação, não devemos combater as drogas - assim, só afastaremos de nós aqueles que queremos próximos. É preciso entender qual o significado da droga, o que caracteriza e orienta a relação de um sujeito com tal substância. É preciso ter algo melhor pra oferecer.

Para satisfazer as necessidades acadêmicas, inerentes ao que tenho sido, seguem as referências: Uma leitura psicanalítica do fenômeno do uso de drogas na contemporaneidade. Cynara Teixeira Ribeiro.

The more you change, the more they seem the same.

E sempre é esse o discurso. E parece que tou dizendo o maior absurdo quando digo que isso não precisa ser desse jeito. Mas não precisa - eu sei, eu vi lá fora. O jeito padrão de fazer as coisas não é o único que existe. Quem deveria poder impedir a gente de fazer o que quiser, afinal, que garantia a gente tem de que isso ou aquilo é o melhor? Se eu aceito a garantia do outro, só tou tentando me esquivar duma responsabilidade... mas eu deveria desejar intensamente carregar essa responsabilidade... quem mais deveria ser responsável pela minha vida depois de eu ter saído da condição necessariamente parasita?

sábado, 10 de julho de 2010

Hokage

... uma garota ousada, que quer assumir papeis que não são seus só pra provar pra todo mundo que ela consegue fazer isso. Só pra provar o quanto ela é forte. Mas, na verdade... não é nada disso. Ela só quer que alguém diga ou mostre pra ela que ela pode fazer isso... que ela é forte. Porque, na verdade, ela não sabe se é forte. Ela não se sente forte. Talvez esse não seja o modo mais apropriado pra fazer isso, mas é o único que ela encontrou. Ninguém a ensinou a ser de outro jeito... aliás, talvez ninguém a tenha ensinado a ser nada. Ela foi tentando aprender a ser várias coisas, compiladas em uma só. E aí mesmo ela se enganou. Não dá pra ser várias coisas, dentro da gente só cabe uma coisa: aquela que a gente é. Como saber se a gente gosta daquilo que a gente é? E, se não gostar, como devemos lidar com isso? E, ainda, se gostar, que tipo de liberdade ou deliberação isso nos dá?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

domingo inevitável.

invariavelmente seria assim - o desenrolar (ou enrolar, não?) dos fatos, não dos sentimentos evocados (velho SD, velho padrão de respostas, nova contingência... velhos novos sentimentos).

há uma certa resistência quanto a tentar organizar os pensamentos a respeito disso, transpassada pela influência de amigos e outras pessoas mais. Sentimentos são emoções pensadas? Não sei como significar...

você se mostrou agradável, você se mostrou interessado, você se mostrou recluso, você tomou a iniciativa, você esperou que eu tomasse conta de tudo - inclusive de você. Do que você precisa? Eu acho que sei como fazer para que eu seja aquilo de que você precisa - mas, ao passo que sei, não deve ser correto fazê-lo... ainda mais por saber, também, que, ao tornar-me aquilo de que você precisa, automaticamente me torno algo inteiramente dispensável.

tanta culpa, tanto medo, tanta carência... e a maior parte disso não me pertence - apesar de eu tomar para mim boa parte de tudo. Não são coisas minhas. Então, por que as quero para mim?

Eu o quero todo para mim, mas naqueles termos de um amor histérico... muito provavelmente. Vendo isso, me sinto tão vil... Lucrécia! No começo eu achei que queria estar junto, mas agora me parece que eu quero devorar, apropriar-me compulsivamente de tudo. Tudo. Não era isso o que eu gostaria de querer.
Não é, factualmente, o primeiro, mas é o primeiro - e provavelmente o único - com o qual todos os próximos serão comparados. Verdade interna detectada e detestada. Momentos iniciais de negação que logo cessarão... assim espero. A razão disso tudo? Não sei, apenas imagino.


domingo, 4 de julho de 2010

and I love her.

tava ali do meu lado, mas não senti nada.

sábado, 3 de julho de 2010

I've just got my ticket to ride!

and so I'm just enjoying the trip!

hearing Beatles in this situation for the first time, by the way! I have never understood the reasons why so many people could like Beatles... it was just because I have never done this before! Man! It's the bigger trip at home! Yesterday I've got THE ticket to ride, to travel in a yellow submarine, destination to Strawberry Fields! Hey, dude! I'm saying to you... it's a revolution [, baby!!!]! With a little help from my friends, here comes the Sun everytime I get this way! Soon, I'll get back... how I wish I could feel this way eight days a week, but, anyway... let it be!

2x1 #fail

não saia com a camisa da Holanda na rua.
não poste antecipadamente no Twitter.
não beba numa cidade pequena e frequente os lugares que seu pai poderia frequentar, ao mesmo tempo, depois de ter bebido nesse inferninho - pode ser mau.

New years day.

tocando U2 no pastel do japa, tomando cerveja sozinha enquanto espero o Lucas chegar. Isso porque, no instante em que pisei na plataforma da rodoviária de Paulínia, o ônibus do Parque da Represa saiu - o próximo é só daqui a uma hora. Ah! Eu estava descendo do ônibus de São Paulo - estive no metrô, viajando da Saúde ao HCor e depois da Saúde ao Tietê. Quantos paradoxos! Ah²! Estive lá para assistir a algumas palestras de Psicologia Hospitalar. É, hoje a caipira se sente excêntrica.
O Lucas chegou.

01.07.2010

domingo, 27 de junho de 2010

Câncer filosófico.

qual é a dessa coisa de pensar? Mas, assim... essa coisa de pensar indiscriminadamente.
Não é incrível? Parece que, quando tudo finalmente faz sentido, o sentido de tudo se perde... daí precisamos voltar a buscar novos sentidos sem sentido... senão não faz mais sentido.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

0x0

sem sal, assim.

bandeira amarela pra minha reflexão. É tudo culpa da seleção... quer um pãozinho?!
enough fogos de artifício, amigos! Foi só isso... nada mais! ... ola, señorita! ;D

terça-feira, 22 de junho de 2010

Não peça desculpas.

Você só pede desculpas por aquelas coisas a respeito das quais você não pretende se preocupar em prevenir a reincidência. Assim, me desculpo por um esbarrão de ombros em meio a um caminhar frenético, por um pisão no pé na travessia dos corredores ou por ter me esquecido de chegar na hora exata. Por este último ainda deixarei de me desculpar, mas isso é pra mais adiante.
Quando a coisa é mais séria, você não pede desculpas, você não se colococa sob o bel prazer do outro. Você consegue as desculpas. Você as conquista, por meio de suas próprias realizações. E, se ainda assim, sentir-se sedento pela aprovação externa, mas não estiver disposto a refletir sobre qual a verdadeira face desse tipo de apelo, você pode ver se os outros notaram que você está desculpado. As pessoas percebem que você está desculpado, as desculpas tornam-se visíveis. Fica estampado na nossa cara: estou desculpado.
Agora... por que? Deve ser por um conjunto de fatores. Uma mudança de postura, um jeito novo de olhar, um novo tom de voz, novos ares... novas desculpas. Mas, pelas antigas, já não mais é necessário pedir perdão.

3x1

Nossa, como meu pai consegue ser grosso. Herdei daí tudo isso, bem sei... mas refinei um pouco esse tipo de habilidade. Tsa, não é isso o que importa. Aliás... isso pouco importa, agora.
Como uma amizade pode ser tão grande, tão sincera, tão segura... e tão muda? Não tenho certeza, mas sei que é assim. Acho que começou sem que eu percebesse... sem perceber, tornou-se uma das coisas mais importantes.
São tantos os pontos para reflexão... nem sei por onde começar. O jogo foi bonito. Primeiro gol, belíssimo. Expulsão, #fail! Otário, olha pra frente quando decidir correr.
...
Olha o que eu estou fazendo de mim mesma... aquele discurso vazio, ostentando um conhecimento que não se tem, pensando em coisas que talvez existam e sentindo coisas pré-fabricadas. Como me vejo frívola... profundamente leviana. Tudo o que faz valer a pena. Tudo.
Ah! E eu vou procurar descobrir qual é a do garoto de ontem. Parece que, no mínimo, pode ser uma experiência interessante. Por que mesmo eu deixei escapar nos primeiros minutos... ? Ah! Amigos, eu acho... *faz sinal de formiga atômica*

20.06.2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Análise da contratransferência.

Segundo a minha interpretação - contendo em si todas as ressalvas cabíveis -, tentar descobrir o que sinto, no caso, é fazer isso.
Começo com um texto. Verão... Veríssimo. 'Histórias de Bicho'. 'História de Bichos'... Bicho. Papagaio depressivo. Fruto do processo (processo?) sublimatório de uma criatura humana qualquer perdida no mundo, com a qual me relaciono intimamente ao ler suas linhas sublimadas. Um artista das palavras (, eu te amo!)
Perspicaz, meu caro... você esteve observando minha vida?

Na relação com o texto: projeção e identificação do e com o conteúdo projetado. Transferencial.
Na relação com a transferência - riso condescendente, satisfação fantástica. Memórias do mundo de origem.

Narcisismo. Identificação primária. Relacionamentos narcísicos (um paradoxo!). O Pai (do Enzo, do Lorenzo, do Lucas...) pareceu por lá, talvez tenha ficado por lá. E agora?

E na contratransferência... o que sinto? PUTA QUE O PARIU, TÃO ME REFORÇANDO [o cpto].

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Só pra constar...

é incrível o poder indutor de subjetividades da música. E nem é uma música da qual eu gosto muito... tô aqui, numa dinâmica de modelar a mim mesma com um pouco de massinha caseira, contribuindo para o seminário dum pessoal da sala. Durante a atividade estão rolando uns sonzinhos aleatórios, violão e voz fofíssimos e outras singelas mercadorias musicais perfeitamente palatáveis. Observando tudo com uma certa nostalgia precoce (sentimento recorrente nos últimos tempos, diga-se de passagem)... todos se divertindo, cantarolando juntos, dançando timidamente uns passos frenéticos... todos embalados por uma coisa quase tão sobrenatural quanto a bola dessa Copa. Parecemos todos tão amigos. Só pra constar... eu adoro todos, mas não ligo a mínima pra maioria deles. Não me interesso por eles agora... e resisto à idéia de que um dia poderei ser tomada por um súbito e intenso interesse a seu respeito. Naturalmente artificial esse tipo de movimento. Por ora, não quero me render a isso. Modelei uma coxinha - depois de me fazer com cara de batata. Oh... ainda tem alguém assoviando a musiquinha dissimulada.

14.06.2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

2x1

tô do lado de cá.
Stephanie, comigo. Fala, Stephaaanie!

.A regra e não apagar nada? Tudo que falar tem que ficar? É

.i pensa

vc está me chutando!

.por que voce me associa a pontos finaiS?

não sei. vou levar pra minha terapia ;D

.que tipo de terapia?

[stop]

brincadeira do tempo: passaram-se dois minutos. pra mim foram 20.

.o que dá tamanho destoamento na sua percepção de tempo?

são as condições objetivas! :D

.na sua relação, você é o sujeito ou o objeto? S - - - - O

isso é uma ... representação de fórmula... é formula que fala? sei lá... elementos, manja? daí os tracinhos são a troca iônica e pans... lembra?

.n

ela foi mijar. eu... to aqui.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Eu sinto, eu sinto, eu sinto.

Repito porque quero me sentir viva. O calejar das mãos talvez me faça sentir. Por isso me devoto ao trabalho, à incessante busca por redenção, ao dissertar sobre o que não sinto, só pra sentir com as próprias mãos.
Nos dias de hoje, que mérito há, realmente, em existir?

07.06.2010

Ok. Para e respira.

Pois é, já tentei outras vezes. A experiência me disse que não ia adiantar nada.
Parei, respirei. Respirando, parei... voltou tudo à mesma merda. Não adianta. Não adianta. Foi respirando que parou... agora, parando é que não vai respirar.
Sim, desde que nasceu já começou. Desde então, não mais parou. E se parar... para de respirar.
Não. Não me peça pra ser o que eu não sou.

07.06.2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

coluna social (vulgo 'frivolidades') - diretamente daqui

- ouvindo 'yesterday' e pensando... em que estou pensando? em tantas coisas... coisas tantas! (lembrando que a ordem dos fatores interfere SIM no resultado... na comunicação extra-matemática, digo... e também já superei a fase dos trocadilhos sapequinhas. é simples: a complexidade é outra)

- love was such an easy game to play ~> se é assim... yesterday já existiu, realmente?

- lembro de amigos que tenho. não necessariamente o que deveria primeiro e obviamente ser lembrado. ele vem depois... pela censura incorporada que me diz que era dele que eu deveria me lembrar. por que raios estou me referindo a 'amigOs'? penso em duas amigas, sucessivamente =)

- agora 'hero'... I'm not gonna stay here and wait... talvez fosse o certo.

(...)

brisei durante uns minutos enquanto fazia o texto (aliás... momento inédito... post diretamente escrito aqui, em frente ao computador! tal como os dois anteriores... e dum jeito... enfim!). daí, pra retomar, precisei ler de novo... mas ficou difícil. outros transtornos assomam minha cabecita de jamelão! seguindo: what a fuck é o meu conceito de 'frívolo', não? é... se pá, aqui nem é tão interessante.

interface: mundos de cá e lá - aqui, para todos nós.

Sir Diego diz:
*mas e ai, explique-me afinal o post ué
claaaudya diz:
*eu não sei AHUAHUAHUAUHAHU
*quem explica é a sóbria
*eu só complico ;D
Sir Diego diz:
*huahua, falar de si na terceira pessoa é tenso
claaaudya diz:
*é não
*é um lance meio
*comando duplo - ativar
*vc coordena um corpo e uma [luzes piscantes]mente[/luzes piscantes] daqui de cima... mais ou menos aqui, ó... tá vendo?
Sir Diego diz:
*sim


eu sabia. sempre fiz os amigos errados.

notícias diretamente do mundo de cá

de lá, pra vocês que ficaram aí.

Aqui meu pensamento fala mais do que é capaz de pensar minha fala. Por isso parecemos tão distantes. E isso me faz sentir saudades...

saudades de amigos que nunca tive! saudades de amores que nunca vivi. saudades de momentos que nunca existiram. e que nostalgia sinto, então, em relação ao longínquo e igualmente inexistente futuro.

Passará a existir apenas quando eu deixar de acreditar nele e puder senti-lo plenamente...

a plenos pulmões, com o funcionamento pleno de cada uma de minhas terminações nervosas, em toda a plenitude do meu ser!

Serei eu um ser plenamente repleto de futuras saudades inexistentes, algum dia?

... É só isso. Ledo engano, meu super Ego! Super engano, meu ledo amigo... é apenas... depressiva posição esquizoparanóide, esta na qual sentimos felicidade! Uma vida que sorri, uma ignorante!

domingo, 16 de maio de 2010

Qualquer esperança é tola. Essa esperança que impede a fazerança efetiva do esperado. Não devemos esperar pelo fazido, não precisamos fazer o esperado. Devemos fazer sem esperar o que deve ser feito pelos que esperam. Espere só pra ver!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Patologias complementares.

vai que é assim que tem que ser. Como saber? O que 'tem que ser' seria aquilo que é preciso ou como o é para que sejamos felizes. Ser feliz é sentir-se feliz a maior parte do tempo e, quando não, ao menos com reserva energética suficiente para continuar, esperando (quiçá buscando) estar feliz novamente, não é? Por ora, isso me basta como satisfação às exigências obsessivas. Seguem as questões.
A intenção não é aliviar a tensão, iniciar a homeostase e encontrar-se numa condição de mórbida harmonia. Não mesmo? Por que não desejar o conforto quando ele é tudo o que queremos? Não. Qual então seria a intenção? Alguém disse que a satisfação plena... mata a alma e envenena. O gozo final se equipara à morte; eis o último suspiro.
Uma condenável liberdade aspirada com um tímido remorso. Vinculação desapegada. É o que tenho dito para a minha amiga. Só não sei se acredito nisso, tampouco (ainda menos, diria) se consigo praticá-lo. Se o interesse é basicamente um processo espelhar, por que não sou auto suficiente?
Trocando miúdos, não consigo ver uma forma mais perfeita de me tornar um ser completo. Troca mútua, necessidade e atendimento recíprocos além de quase doentia ansiedade por servidão. A garantia maravilhosa da permanência, da constância e da disponibilidade - enquanto for uma constante disponibilidade presente, apenas. E quando não existir a condição perfeita? O sofrimento é muito maior. That's why, baby, o sofrimento da ausência é a alternativa escolhida - otimismo expresso como aparente pessimismo. Pobres mortais, reles (des)entendedores. Não sei se eu suportaria perder-me, dissolvendo-me no outro na tentativa de unificação. Não posso acreditar nela. Não me permito.

12.05.2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um grande dom traz consigo uma grande responsabilidade...

ou qualquer coisa do tipo. Uma mãe-rainha disse ao seu filho-príncipe-prestes-a-se-tornar-rei num filminho hollywoodiano qualquer há algum tempo. O assisti com a minha própria mãe-mãe. Lembro de sua concordância com a sabedoria soberana. Lembro do impacto na decisão do, então, rei. Mas... e agora? O que podemos dizer do conhecimento? Qual o tamanho do pecado de desejar uma ignorância ciente? Sobre tudo aquilo que sei... sobretudo o que desejo. Ou não.


brisas éticas ...

qual o critério para julgar um ser (como) vivo? quero dizer... um ser vivo é aquele que passa pelo ciclo da vida? - nasce, cresce, se reproduz e morre. uma rocha, por exemplo, nasce por um processo de sedimentação, torna-se uma montanha enorme, decompõe-se em pedrinhas, depois transforma-se numa depressão, extinguindo-se, enquanto suas pedrinhas descendentes estão, ao lado, germinando um novo tipo de relevo. uma pedra é um ser vivo? o que não é um ser vivo? só porque o tempo de vida de uma rocha é tão grande que nós, em nossa vidinha espacialmente minúscula quando à dela comparada, não conseguimos apreender o seu ciclo, nos atendo portanto ao recorte de seu processo de nascimento, desenvolvimento, consolidação de seu estado de rocha e fim de tudo (ou quase tudo), é certo considerá-la como um ser bruto, sem vida? qual o critério de significância da vida? quem somos nós para nos darmos a liberdade de ignorar a essência da rocha e suas questões existenciais?

30 de abril de 2010


quarta-feira, 28 de abril de 2010

sim, é sobre você.

O que será desse tempo? Nunca acreditei neles, mas talvez seja porque nunca me coloquei numa situação semelhante. O orgulho e a ansiedade imaturos nunca me permitiram a exposição a tal latência, inespacial e ansiógena. Qualquer problema era motivo para o fim. Com isso, adiei muito aprendizado.
Você não me decepcionou em nenhum momento. E, se o tivesse feito, não deveria pedir desculpas – decepções são fruto de expectativas não atendidas... e quem cria as expectativas somos nós. Você me magoou algumas vezes sim, e está desculpado por isso – mesmo que eu ainda não tenha clareza de que sejam necessárias desculpas por isto.
Quando te liguei ontem foi apenas por uma preocupação pragmática... mas eu já estava realmente dormindo quando sua mãe me perguntou por você. Não fossem os perigos reais do mundo extra psíquico, não é o que eu deveria ter feito. Mas eu também não deveria ter buscado o seu beijo – que foi o pior, o mais insípido e o menos estimulante que já experimentei de você. Está previsto pra este tempo bastante tempo – eis aqui uma expectativa que crio e gostaria que fosse quebrada... superada, como tantas outras. Contudo, procuro manter os pés no chão para criar expectativas realistas, não tolamente otimistas. O que não está previsto, mas provavelmente pressuposto, são as muitas experiências pelas quais teremos que passar. Eu e você, cada um em seu tempo. Sabe-se lá que tipo de transformações poderão resultar dessas experiências e que conseqüências devemos esperar para nós, daí não como pessoas isoladas, sim compartilhando experiências. Mas é um risco que pretendo correr, principalmente por desejar o que, presunçosamente, julgo ser o melhor pra você. Não lhe desejo conforto. Desejo-lhe crescimento e entendimento. Depois disso, desejo a felicidade que couber em meio a tudo isso. Porque a vida é tudo isso.
Devo me furtar a tantas outras coisas que gostaria de dizer, porque estaria fazendo justamente a coisa errada, reincidentemente. Portanto, direi apenas que espero que, se isso for possível, no momento em que for possível, nos encontremos novamente, sendo pessoas melhores. Eu quero ser melhor, mas ainda preciso descobrir de que forma – lembrando que esse processo nunca se esgota. E quero encontrar em você a pessoa que você é, pessoa esta que você só me apresentará se já conhecer.
Quero você, mas só o quero quando for capaz de se querer, por conhecer-se e gostar-se o suficiente para entender que as pessoas podem gostar daquilo que você é, sem mais... sem precisar do seu amparo constante ou da sua submissão. Só assim poderei estar com você.

04.04.2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Estudo empírico

Se estar lá é tão bom e, quando voltamos pra cá, uma sensação estranha e, por vezes, incômoda, nos toma... como devemos encarar os fatos? Estar aqui é tão ruim? - Conversa que quero ter, lá e cá, com a mesma pessoa... e com ela estando no mesmo lugar que eu. Quero, além disso, ter essa experiência com mais de uma pessoa. Estudo empírico da subjetividade induzida.

Isso é uma proposta de participação numa pesquisa que eu, do meu posto leigo e a despeito de metodologias rigorosas, gostaria de fazer pra conhecer um pouco mais das pessoas e, talvez consequentemente, de mim mesma... antes pra satisfazer uma curiosidade pessoal que pra ter material pra começar algo sério - o que é possível, mas não nesse momento. Em breve pretendo explanar a questão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Eu quis gostar de você - mas porque você representou coisas boas para mim, coisas pelas quais só posso agradecer. Muito embora comece a por em questão tudo o que foi dito ou o que foi feito, creio que após curada a ferida (provavelmente narcísica), tudo quanto foi revolta será compreendido como imaturidade para lidar com a frustração. Aqui estou eu, despida de várias camadas de hipocrisia, procurando compreender a angústia - quero, de física, torná-la etérea, superior... como parte de uma estratégia de defesa, de resguarda para a parcela orgulhosa de mim que não está ainda amortecida.
Não creio que até agora tenhamos vivenciado um relacionamento sincero. Era eu me relacionando com o que construí como sua imagem para mim com o pouco que recebia de matéria prima misturado a algumas influências embasadas nas suas atitudes, além de algumas expectativas criadas unicamente pelo meu desejo, e, provavelmente, o mesmo para você. Não sei quem eu sou para você. Não sei exatamente quem você é para mim, mas tenho ao menos uma ideia... tudo o que fiz foi no sentido de tentar mostrar para você essa ideia, para que, ciente dela, você pudesse me mostrar o que correspondia à realidade e o que não, de modo que, a partir disso, pudesse começar a me relacionar com você, de verdade - isto é, se depois de desconstruída a fantasia ainda houvesse interesse nisso. Não sei também se fui bem sucedida nessa minha intenção de manifestação. Mas, como infelizmente há pouquíssimo retorno, não me sinto estimulada a continuar, justamente porque não sinto reciprocidade nesse sentido. Acho que você ainda se interessa mais pela fantasia. Já não é mais o tipo de coisa que quero para mim. O que tenho são palavras, mas palavras não necessariamente comunicam sentimentos: são diferentes espécies, às quais não é possível o contato direto. Às vezes elas se aproximam muito, sendo capazes de produzir significativas reações no mundo que permeiam, mas... conseguir atingir tal patamar não é um simples pressuposto, é questão de muito esforço.



Sinto que o essencial já foi dito e, para que o discurso não perca sua função, o restante daquilo que vem à tona deve ser suprimido.
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Ato falho... é, amigo, talvez seja mesmo tentador assumir uma postura heróica.

Dias 2 e 3 de abril.

sábado, 27 de março de 2010

Filosofia da varanda.

Não sei se é o período, se são os compromissos, as pendências ou os acontecimentos últimos. Deve ser um pouco de tudo. São saudades de casa, mas sem vontade de voltar. Parece que nenhuma companhia seria boa o suficiente. Sequer simplesmente boa.
Daqui posso ver vários núcleos de vidas funcionando. Vejo-os, relativamente perto, mas nada sei além de sua superficialidade. A música traz à tona o medo de, de longe, perder o que se tem muito próximo, ainda que à distância. Não gostaria de perdê-los, todos os que tenho. Mas, um pouco histericamente, também não quero abrir mão de tudo o que posso ter. Porque, afinal, o que teríamos no fim, não?
Que substância existe naqueles que não amo? Como poderei amar aqueles que não conheço, ainda mais quando eles só virão ao meu encontro porque não foram capazes de encontrar nenhum outro amor? Como ser altruísta e vender os sentimentos? Seria isso tratar levianamente os sentimentos, com uma frieza premeditada e argumentativamente justificável? Tratar daquilo que há de mais delicado com sutil brutalidade não me parece fácil. Não que eu gostaria que fosse fácil. Gosto de desafios, sei bem que posso morrer enfrentando-os. A grande questão é: será que realmente quero conseguir tudo isso? Será que quero despir-me de humanidade para, então, devotar-me a ela?
Ah, que saudades sinto da ignorância.

02 de dezembro de 2009

Conhecer-te pode ser extremamente desagradável. A angústia primitiva, o esquema instalado, o conflito primitivo, as condições de vida deprimentes, a realidade castradora ou o mundo indiferente.
Conhecer-te pode ser perigoso, pois quando olho com um pouco de atenção, vejo a mim mesma.
Isto é para que saiba o quanto conhecer-te pode ser pisar num terreno árido e hostil, como pode ser uma tarefa árdua. E, embora possa ser infértil e ingrata em algumas épocas, há de convir-se que é uma tarefa extremamente gratificante, mesmo que seja apenas durante aqueles pouquíssimos dias em que florescem algumas belas variedades. Coloridas, belas e efêmeras. Mas só por estas espécimes, já vale a pena.

02 de dezembro de 2009
Uma homenagem a todas as pessoas que já tiveram participação na minha vida. Aos amigos passageiros, aos permanentes e aos eternos. Aos amores, consumados ou não. Aos opositores discretos, aos inimigos esclarecidos e aos mentirosos. Enfim, a todos aqueles que contribuíram para que eu chegasse ao final do dia com algo novo sobre o que refletir. Para lembrar que gente é gente. Que as pessoas são importantes. E horríveis. E maravilhosas. E não fazem diferença alguma, afinal o Sol não deixará de brilhar por nenhuma delas. Para lembrar da nossa pequeneza. E da imensidão do ser humano. E, principalmente, de que é aos artistas que devemos a beleza, pois são eles que melhor compreendem a complexidade do ser tão simples que somos, traduzindo em coisas belas mesmo o que há de mais fétido e repugnante em nossa constituição. E pra lembrar que devo amar. E que devo viver. E para saber que tudo é uma ilusão. O mundo é um véu de ilusões, ao passo que ele só é o que é depois de filtrado pelos nossos sentidos. Ele pode ser o que queremos, se quisermos. Não devemos duvidar de nada. Não é porque a maioria vive da mesma forma que o critério deles é o que corresponde à realidade. Realidades são pontos de vista. A verdade é que é única.

25 de novembro de 2009
(plus adendos de hoje)

O quanto gostaria de sentir.

Hoje ele disse "eu gosto de judiar de você". Até que ponto vou deixar isso me afetar? Até que ponto pensarei sobre isso? A grande questão: até que ponto ele gosta disso?
Na verdade, sinto-me esvaziada daquilo que outrora me encheu de desgosto. O sutil limiar que distingue a dor do prazer. Não há estado de espírito que nunca tenha transitado por esse terreno incerto.
Pelo menos gosto de você, mesmo que seja como objeto sobre o qual posso depositar o que há de mau em mim.
Acostumarei-me a ser isso (acostumarei?), lançando mão de uma metáfora emprestada_ serei a latrina daqueles que amo. Em troca, talvez, gostem ao menos da minha função.

25 de novembro de 2009

01 de outubro de 2009

O primeiro dia do mês, do ano... em alguns casos, o da semana serve. Por que essa necessidade de marcar a primeira coisa, que destruirá todo o pra sempre das coisas que depois dela sempre virão? O lirismo me impele, numa noite quente do primeiro dia do mês, a escrever sobre alguma coisa pela primeira vez, mas esforço vão, não há outra coisa senão a brisa e a quebra das breves expectativas.
Algo latente, algo morno, algo que clama, algo que grita, algo que sufoca. Requer voz, requer manifestação, deseja platéia. Calor, barulho, suor, frio e solidão. E, ainda assim, é preciso escrever. Começos anseiam por promessas. Eles precisam delas como nós de ar. Começos demandam juras. Eles nada podem sem uma grande esperança. Promessas existem apenas para não serem cumpridas, caso contrário não seriam necessárias.
O costume é o fracasso da reflexão. Quão volátil é o aprendizado que se tira duma dor intensa? É possível elaborar sem destruir-se completamente? Pendências são dolorosas, mas não tanto quanto resoluções. Elas vem e vão, mas é certo que teremos companhia em algum momento. Com a resolução, tudo quanto é pra sempre desaparece.

about me

Eu vivo para aprender. E estou aprendendo a viver. Todo dia é um infinito de possibilidades. Às vezes, as abraçamos, outras, apenas fazemos vista grossa. Mudar de opinião é um dom do ser humano, quem sabe o maior deles. E todos os dias eu acordo outra pessoa. Posso sentir saudades de quem fui, ter expectativas quanto ao que serei um dia, mas sei que sou simplesmente uma complexidade em pleno e eterno desenvolvimento. A ebulição do presente que não existe por si só. E eu faria isso novamente, exatamente da mesma forma, um milhão de vezes. Mais ainda, quantas vezes me fosse possível, só depende de várias coisas. E estou deste lado. Mas, se você olhar com atenção, também estou do lado de lá. Só que, na verdade, isso é o que você vê. Não estou em lugar nenhum... estou dentro de mim e, com certeza, aqui você não pode ver.

obs: velho about... bem velho.