Você só pede desculpas por aquelas coisas a respeito das quais você não pretende se preocupar em prevenir a reincidência. Assim, me desculpo por um esbarrão de ombros em meio a um caminhar frenético, por um pisão no pé na travessia dos corredores ou por ter me esquecido de chegar na hora exata. Por este último ainda deixarei de me desculpar, mas isso é pra mais adiante.
Quando a coisa é mais séria, você não pede desculpas, você não se colococa sob o bel prazer do outro. Você consegue as desculpas. Você as conquista, por meio de suas próprias realizações. E, se ainda assim, sentir-se sedento pela aprovação externa, mas não estiver disposto a refletir sobre qual a verdadeira face desse tipo de apelo, você pode ver se os outros notaram que você está desculpado. As pessoas percebem que você está desculpado, as desculpas tornam-se visíveis. Fica estampado na nossa cara: estou desculpado.
Agora... por que? Deve ser por um conjunto de fatores. Uma mudança de postura, um jeito novo de olhar, um novo tom de voz, novos ares... novas desculpas. Mas, pelas antigas, já não mais é necessário pedir perdão.