Voltar atrás. Sempre, sempre, resgatando o que já se foi. Não consigo entender essa necessidade, dar-lhe alguma razão. Talvez ela não seja, realmente, justificável. Caso assim seja, serão devaneios dos quais me arrependerei, mas tornarei a vivê-los, sem saber o porquê, mas sabendo, sempre, aonde me levarão.
Os sentimentos de outrora já não têm o mesmo sabor. Talvez, até mesmo, sejam insípidos. Mas insisto em repassá-los na memória, quando não, à primeira oportunidade, vivê-los novamente. Sem motivos.
Sinto-me livre sem aqueles antigos pensamentos; certos conceitos já não me cabem mais, são memórias, sim, memórias, essa coisa sem substância que comanda muitas atitudes. Eles já não são minha realidade, eu tenho consciência disso. Mas, em certos dias, sinto-me vazia sem eles, mesmo sabendo que esse vazio é causado pela falta de sentimentos vazios. É incoerente, eu sei, mas o que há de coerente que seja capaz de parecer interessante? Eu sou suscetível às mudanças, me considero agraciada por esse poder, então, acredito que, um dia, poderei mudar essa opinião, mas, no momento, ela é minha certeza: por mais que eu sofra, não quero deixar de pensar, pois minha reflexão é tudo o que tenho. Não quero aceitar o que é imposto, ser rasa e deixar-me levar. Aceitar apenas o que parece ser coerente é negar a profundidade, a complexidade e o emaranhado da alma. A alma não é feita de conceitos que podem ser expressos em fórmulas exatas; ela aceita os paradoxos, as contradições, os antagonismos. Não admitir que desejos conflitantes nos assomam a alma é o mesmo que procurarmos nos esquivar da responsabilidade de tudo o que acontece em nossa história. Para se tornar algo mais próximo do completo é preciso negar esse monismo.
Nossa existência não se resume a um traço retilíneo.
Sinto-me livre sem aqueles antigos pensamentos; certos conceitos já não me cabem mais, são memórias, sim, memórias, essa coisa sem substância que comanda muitas atitudes. Eles já não são minha realidade, eu tenho consciência disso. Mas, em certos dias, sinto-me vazia sem eles, mesmo sabendo que esse vazio é causado pela falta de sentimentos vazios. É incoerente, eu sei, mas o que há de coerente que seja capaz de parecer interessante? Eu sou suscetível às mudanças, me considero agraciada por esse poder, então, acredito que, um dia, poderei mudar essa opinião, mas, no momento, ela é minha certeza: por mais que eu sofra, não quero deixar de pensar, pois minha reflexão é tudo o que tenho. Não quero aceitar o que é imposto, ser rasa e deixar-me levar. Aceitar apenas o que parece ser coerente é negar a profundidade, a complexidade e o emaranhado da alma. A alma não é feita de conceitos que podem ser expressos em fórmulas exatas; ela aceita os paradoxos, as contradições, os antagonismos. Não admitir que desejos conflitantes nos assomam a alma é o mesmo que procurarmos nos esquivar da responsabilidade de tudo o que acontece em nossa história. Para se tornar algo mais próximo do completo é preciso negar esse monismo.
Nossa existência não se resume a um traço retilíneo.