quinta-feira, 21 de agosto de 2008

20 de Agosto de 2008.

Hoje faz quase uma semana que eu tomei uma decisão muito importante. Também faz quase uma semana que eu sinto as coisas como não as sinto há muito tempo. "Coisas" é uma palavra muito feia, portanto, explicarei melhor. São vontades, impulsos, desejos, medos, angústias, certezas fugidias, motivações, paralisias, cheiros, cores e sabores, tudo muito bonito. Sentimentos são trivialidades. O bonito é falar sobre eles.
Não que eu tenha me esquecido, mas hoje, também, é aniversário do meu pai. Trocamos ínfimas palavras - na verdade, houve um momento de bombardeio de palavras e outro de expiação com as mesmas, mas nenhum de troca, realmente.
Como não bastasse, hoje acho que magoei uma pessoa importante, pois acho que ela se viu atacada pela minha revolta com todo o resto. Mas, como é inegável, hoje é sempre um dia pesado. Só por hoje eu tenho razão, todos devem tolerar meus desaforos, acompanhar meus devaneios e, enfim, me dar um abraço.
Assisti a várias aulas aborrecedoras, com o intuito de, com garra, perseguir o meu maior - e mais misterioso - objetivo, sem saber ao certo o porquê, uma vez que elas não me trouxeram nem um pouco de felicidade. Ou, ao menos, nada disso foi feliz hoje, no hoje. Pode ser que, um dia, quando estava por vir, para se tornar futuro, hoje tenha sido um dia feliz, ou, ainda, quando for passado, hoje seja um dia feliz. Eis que o tempo muda a história - nesse momento eu resisto ao chulo trocadilho, sábio, verdadeiro e barato. Chulo.
Contudo, sem me perder em meio a esse dissabor tão específico, volto à deprimente aula. Cá estou, digerindo idéias e algum alimento, de quebra. Nas costas, arde o arrependimento e a esperança de reconciliação, de longe uma almejada paz. Quanta dor invisível!
E, em meio a tais situações, somos capazes de ouvir as respostas às perguntas que insistentemente repetimos, sem voz nem real interesse? Hoje eu conheci uma pessoa, em meio ao enfado, que eu jamais me daria ao trabalho de conhecer. E ela se mostrou - ou fui eu quem a li - tão parecida comigo quanto fui capaz de observar e admitir. Eu sou tão desinteressante... Náusea de solidão. Decepção. Vaidade posta em xeque. Ora, a despeito de tudo isso, narcisicamente, me dei ao luxo de ter interesse, senão pura curiosidade, pela sua história. Mas, por favor, de modo breve, para que não extrapolemos a boa vontade.
A criatura mostrou-se apaixonada e convicta (ah! Paixão e convicção, duas coisas tão perigosas quando separadas...) por objetos e sobre aspectos que outrora foram alvo da minha devoção.
Só eu sei o quão repugnantes são essas idéias no momento. Nunca meditei o suficiente sobre nenhuma delas, creio, porém, a cada vez que elas resultaram numa atitude, houve uma onda de bons motivos que subsidiaram tais ações.
Afora essas citações demasiado vagas, apenas instigantes e sem proposta de, sequer a disposição para, demonstrar seus fundamentos, a filosofia é muito simples. Tanto que é quase vergonhoso, uma vez que o desejo de expressão, direta, é vencedor na batalha travada com a capacidade de dissertação, do tecer de uma lógica.
Grande parte do que a criatura aspira foi o que, recentemente, eu vivi, com facilidade e, de certa forma, sem intensidade ou interesse. Em poucos dias de efervescência mental, todo o curso de uma vida pode ser alterado. Hoje, há quase uma semana, eu acabo de tomar uma decisão sólida, bastante parecida com a que acabo de pôr termo, num processo que durou aproximadamente duas semanas. Sobre a idoneidade dessa nova idéia, dessa decisão, poderei falar a respeito, com o mínimo de propriedade, duas semanas após colocá-la em questão novamente, caso isso ocorra. Em caso de não acontecer, fica pendente, como os maiores questionamentos do ser humano, essa frívola dúvida a respeito de uma única irrisória sobrevivente. Hoje, eu quero ser diferente do que sou. Daquilo que a criatura me apontou. Em um outro lugar. Isso porque, hoje, percebi como estou aquém das expectativas que suportei há alguns hojes atrás.
Ah... por que o Universo opera desse modo? Quando estou me ocupando de afazeres repugnantes, não gosto de acreditar que tudo o que possuo é aquele exato instante, o tal presente. Nunca estive no futuro no momento em que ele acontece, portanto não sei dizer se me afeiçoei a ele. Entretanto, na maioria das vezes, gosto de pensar que possuo, em alguma parte, os dias que já foram. Seu álbum de fotos é um exemplo, ou melhor, uma prova de que você também gosta disso.
Mas, o que aconteceu, hoje, é que, sem mais demora, eu gostaria de saber: quando as pessoas são extremamente importantes na nossa vida - para que nelas depositemos todo o nosso amor, para que nelas nos apoiemos e confiemos, para que tomemos ou não uma decisão, pelos mais variados motivos -, elas têm consciência disso? Eu tenho um palpite. E é de que não. Ainda há uma pergunta mais dolorosa: elas o sabem na hora certa? Também tenho um palpite a respeito. Se é que existe o momento oportuno, ele não existe. Pelo menos para mim, talvez por nunca ter sabido aproveitá-lo, talvez por só existirem os momentos errados.
Hoje, só uma coisa eu garanto. Há pessoas tão importantes, mas tão importantes, que nem devem ser mencionadas.