quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Às vezes é de noite, todo mundo já dormiu e tá o maior silêncio. Daí eu desligo o meu computador, vou ao banheiro e ligo o secador de cabelos. Eis o surpreendente: sai música dele.
Tá, não é bem assim, mas eu não queria perder a imagem formada pelas palavras, soaram dum jeito bem legal. O fato concreto é: ligo o secador e seu ruído parece estar encobrindo muitos sons que não existiam antes dele. Daí desligo o secador. Silêncio de novo, embora com algum eco daqueles sons que eu pensava ter ouvido por detrás do ruído do secador. E quando o ligo de volta, a mesma coisa. E quando desligo, também.
Cansei de investigar esse mistério. Ele é muito teimoso. E, no fim de tudo, eu consigo me deitar com os cabelos secos.

14/10/2010

Se eu errei... me desculpe. Mas deixo claro que eu não erro.

Ilustríssima frase enunciada por um porco prepotente que foi responsável pelos meus ensinos de Geografia. Já tem um tempo.
Com certeza já ouvimos falar de identificação projetiva... mas será possível falar em projeção identificativa? Apesar disso parecer conceitualmente um pouco confuso e improvável - afinal, projetar algo que foi identificado? Talvez seja uma dialética pulsional, de modo que o materialismo histórico confirmou a projeção que foi identificada: projetei, identifiquei, o fato realmente existia, o que confirmou a identificação, daí projetei de novo (porque não quero em mim): todo o ódio pelo sujeito. Em palavras menos imbecilmente complicadas: eu sou tão nojenta quanto esse asqueroso. Eu me provoco náuseas - sem ter bulimia, em vias de fatos. Sou uma gordinha com anorexia sentimental. Ridícula, estúpida. Nojenta.
Mas isto sou eu, então é melhor eu cuidar do que tenho.
Foi um combo. Vários, direto na cara. Mas é bom pra aprender. Se tivessem tirado sangue, a cicatriz serviria pra me fazer lembrar. Pra não deixar esquecer. Como faço, se a cicatriz é imaterial? Será que consigo me lembrar, por mim mesma? (yn)

13/10/2010

Há uma singularidade dentro de mim - eu me habito.

Eis a sincronicidade agindo, sim, Jung? Muito embora isso também possa ser chamado, por outros, de atenção voluntária polarizada para aspectos do nosso cotidiano mais especificamente relacionados aos nossos sentidos. Ceticismo histórico-dialético ou excentricidades psicanalíticas, eis o fato: acontece de novo. E de novo.
E, mais uma vez, acontece. Está na hora de parar e observar. Só observar.
Muitas comidas não tem sabor, eu simplesmente as como compulsivamente. Muitas bebidas não são satisfatoriamente percebidas pelo paladar, apenas as bebo pelo alívio que trazem - ao calor, à sede ou às aflições. A maioria das nuances é incrivelmente ofuscante ou inexpressivamente opaca, eu só as encaro com os olhos semi-serrados. Os cheiros são intensamente ineficientes - poucos levam informações ao cérebro. O tempo todo, as texturas estimulam freneticamente, mas o atrito macio pouco me permite ter tempo para deleitar-me das superfícies. Quanto aos sons, tudo o que eu ouço é música - não que todos os sons sejam musicais, mas apenas a música é audível.
Com tudo isso, finalmente percebo uma questão muito deprimente: tenho vivido numa condição de anestesia vital.

"All my senses can say/ that I am getting into a good way/ but I have a problem here, baby!/ My senses just cannot feel".
07/10/2010

Sobre desidealização.

O grande problema é acreditar piamente que o impossível pode. O problema ainda maior é que ele pode: ele pode nos cegar em relação ao possível, ele pode arruinar as possibilidades, ele pode desvalorizar tudo aquilo que não existe nele - e nele nada existe.

05/10/2010

Não saudável, mas tentando.

procurando estabelecer o equilíbrio, da forma como for possível. O esforço da vida para ser vivida. E, aí, cabe-nos procurar sentido para que ela seja vivida. Vale a pena ser vivida, a vida?

05/10/2010