quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Há uma singularidade dentro de mim - eu me habito.

Eis a sincronicidade agindo, sim, Jung? Muito embora isso também possa ser chamado, por outros, de atenção voluntária polarizada para aspectos do nosso cotidiano mais especificamente relacionados aos nossos sentidos. Ceticismo histórico-dialético ou excentricidades psicanalíticas, eis o fato: acontece de novo. E de novo.
E, mais uma vez, acontece. Está na hora de parar e observar. Só observar.
Muitas comidas não tem sabor, eu simplesmente as como compulsivamente. Muitas bebidas não são satisfatoriamente percebidas pelo paladar, apenas as bebo pelo alívio que trazem - ao calor, à sede ou às aflições. A maioria das nuances é incrivelmente ofuscante ou inexpressivamente opaca, eu só as encaro com os olhos semi-serrados. Os cheiros são intensamente ineficientes - poucos levam informações ao cérebro. O tempo todo, as texturas estimulam freneticamente, mas o atrito macio pouco me permite ter tempo para deleitar-me das superfícies. Quanto aos sons, tudo o que eu ouço é música - não que todos os sons sejam musicais, mas apenas a música é audível.
Com tudo isso, finalmente percebo uma questão muito deprimente: tenho vivido numa condição de anestesia vital.

"All my senses can say/ that I am getting into a good way/ but I have a problem here, baby!/ My senses just cannot feel".
07/10/2010

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