domingo, 8 de junho de 2008

sentimentos deslocados .

Quando você não se queixa as pessoas pensam que você não tem de que se queixar. Sua vida torna-se extremamente fácil e frívola, portanto você tem a obrigação de assistir os outros com seus fardos. Qualquer tentativa mínima de expressão é recebida com hostilidade, pois não é direito dos abastados o pesar - o único pesar permitido é aquele que você atribui aos outros, pobres mártires. Por não ser expressivo, contente-se com sua posição de depósito emocional.
Se você procura ser afável, deve saber que o está fazendo para os outros - os fracos precisam de companhia, daí adotam uma postura atrativa. E se você ama, de verdade, é o ser menos capacitado para explicar o que é o amor. Além de que deve viver em constante aporia, pois o amor não pode ser só felicidade - que, diga-se de passagem, jamais poderá ser plena -, bem sei como ele não passa de um estado constante de ansiedade e confusão.
Não importa o quanto você procure negar, é impossível familiarizar-se, de alma, com os erros imperdoáveis que passaram a ser rotina. E não importa com o que, de mais deplorável possível, o objeto alvo do seu amor seja capaz de açoitar-lhe a face, ainda assim ele será, eterna, quem sabe, pois não conhecemos o limite do infinito, e verdadeiramente, sem dúvidas, seu amor e seu vislumbre de horrores idealizados.
Todos os seres humanos são assim, uma porção límpida e outra nojenta. Particularmente, acho que o que mais me desperta interese é também o que me traz a bile aos lábios.
Sinto muito por não estar um texto muito bom, mas é um texto desesperado.