quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

por que complicar tanto as coisas?
mas eu me sinto tão humana fazendo isso... vamos à sessão.


meu superego - seja sincera.
eu - tentarei...

meu superego - ele estava ocupado e não teve tempo de te dar atenção. você, afinal de contas, não é a única coisa que existe na vida dele. claro e compreensível, não?
eu - caralho...

meu superego - as justificativas dele não adiantam por que? o que elas te fazem sentir?
eu - desconforto, porque mostram que aquela afirmação que você acabou de fazer é válida. completamente válida.

meu superego - e o que isso te faz sentir?
eu - dor. muita dor.


diagnóstico: meu superego, afinal, é um ótimo analista do comportamento. prático. pragmático. funcional.

obs: não são verdades mutuamente excludentes. são mesmo muito complementares, isso sim.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

músicas para sofrer.

é claro que qualquer uma poderia ser para sofrer, dada a capacidade exclusivamente humana de rearranjar verbalmente as contingências, ora tornando-as reforçadoras, ora punitivas. em outras palavras, ainda mais pragmáticas, só depende de quem ouve. e de tudo aquilo de que quem ouve depende. mas isso é um detalhe.
foda-se. só quero fazer umas reflexões. não era esse o meu ponto.
como eu gosto da minha vidinha. finalmente a vejo com tanta poesia.

é uma reflexão cotidiana, na verdade. [parei no meio]

eu estava ouvindo adele (eu nunca disse que seria inédito ou surpreendente). é claro. é fácil que uma música composta por uma mal amada seja apreciada por muitas mal amadas que nela encontrarão um objeto extremamente apto a sustentar suas projeções.

dá aquela vontade de sofrer. sabe?
vou explicar: deve ser culpa do reforçamento negativo. você sofre muito, durante muito tempo, e insiste, saboreando deliciosamente cada vislumbrar da felicidade. mas, de fato, você não quer mandar ver. é só experimentar. no fundo você sabe porque. é porque quando você sabe que vai mandar ver você sabe que vai acabar. uma hora ou outra vai. quando você só fica experimentando, aos poucos e de vez em quando, você sempre consegue alimentar a esperança de que sempre que você quiser dar uma beliscada você vai conseguir. porque não tem previsão de acabar.
estou pensando num bolo de chocolate com menta, regado com leite.

leite...
eu li meu último texto. e ele fez todo o sentido do mundo.

a whiter shade of pale fala sobre luto. não sei porque. mas acho que é um suicídio.

sábado, 20 de agosto de 2011

Quanto tempo faz que não me dedico a isso... sentar e procurar me organizar internamente com uma folha de papel. Várias coisas tem contribuído com isso... e, provavelmente, é uma das primeiras vezes que não me refiro a isso como reclamação nem tenho o intuito de exprimir qualquer amargura. É fácil resumir todas essas coisas a uma classe suficientemente ampla para conter tudo que dá sentido: o relacionamento com o outro.
Apesar de todos os relacionamentos já vividos, tanto os extremamente superficiais quanto os profundamente íntimos, nunca algum foi como esse - por mais que se possa dizer que, em qualidade, sejam iguais, jamais poderão sê-lo em virtude. Vicissitudes.
Assim me separei de quem eu era, daqueles que me eram. Daí me aproximei, me fundi, me perdi... inovei a condição de ser aquele que me é. Então, após todo o sofrimento imposto pela resistência inerte por detrás da qual me protegi, pude ver seus olhos. E eles começaram a ganhar vida. E, depois disso, começaram a me dar luz. E, só então, pude me ver. E daí conheci aqueles que não me eram. E me encontro, justamente neste ponto, errando e vivendo. Me reconhecendo, me identificando em todos aqueles detalhes nos quais me faço presente.
Finalmente eu conheci - um pouco - fora de mim. Só assim pra saber quem estou sendo.*

* cabe salientar que este não é um gerúndio injustificado, mas mensageiro do aspecto processual daquilo a que me refiro.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A coisa mais gostosa do mundo

acontece quando você está no meio do quarto ano de distância de casa. Quando a saudade já é algo paradoxal, quando você já começa a se sentir meio louca, porque não consegue sequer concluir um raciocínio sem fazer um sample de análise funcional - saudade, operação estabelecedora e por aí vai... -, ter uma conversa com a sua prima sobre o vestibular e o destino sem pensar na determinação de mercado que imperativa e explicitamente atua sobre aquele grupo específico, sobre o impacto desse fenômeno na subjetividades desses indivíduos... você nem consegue separar sua relação com o namorado de uma relação transferencial na qual você deve se abster. No fim das contas, de que adianta ficar levantando pros outros a bandeira de "não seja um profissional em tempo integral" se você mesma sabe que está sofrendo por uma identificação com a persona? Cuida-se, quando o Grande Outro vier lhe autorizar - você tiver um diploma -, pode ser que as coisas piorem no seu quadro disfuncional. A resenha sobre humilhação que você está preparando is freaking you out, porque é impossível não se comover - se você não for um perverso - com o destrinchar de uma realidade sôfrega vivida pelo seus iguais - iguais estes que você e eu, que temos internet em casa e tempo livre, com alguém cobrindo as nossas costas enquanto vadiamos indefinidamente, excluímos o tempo todo, até nas melhores de nossas intenções, procurando incluí-los. É quando você já tá cansado de ver sua cama bagunçada, sua pia cheia de louça, seu banheiro com cara de estragadinho, sua geladeira com a mesma comida insossa da semana toda, seu intestino fazendo greve, seu fígado surtando, seus músculos trincando (pelo enrijecimento, tensão, não por hipertrofia, parece razoável esclarecer), seu cérebro derretido e sua língua cuspindo pra dentro porque ela já esqueceu qual era ao certo seu papel no corpo e você chega em casa no meio de uma madrugada com uma chuva fina e gélida (os significantes, ora pois), que você obviamente não esperava, pois saiu correndo e vestiu qualquer coisa - um shorts, pra sua infelicidade - e vai abrindo a porta quietinha, pra não acordar ninguém, cheia de medos e ansiedade por conta de algo que você acabou de decidir, algo que vem tomando conta de você faz tempo, consumindo o resquício de sanidade que ainda lhe restava, com expetativas otimistas contidas, com um pouco de dor de cabeça e uma lembrança palatar da amargura da vida e entra no seu quarto e encontra sua cama - que você tinha deixado virada desde quando havia levantado na manhã desse odioso dia - arrumada daquele jeito que você gosta de dormir quando a noite é fria: um cobertor dobrado ao meio, pra você deitar em cima e se enrolar, com outros dois por cima, um deles com a pontinha até mais embaixo pra você levantar a perna, arranjando ele pra enrolar os pés.
E daí você lembra que você está em casa. E que tinha alguém te esperando. E que, afinal de contas, você não está sozinho. O mundo não pode ser um lugar tão ruim se nele mora gente assim.

terça-feira, 17 de maio de 2011

David Coverdale.

É o tipo de coisa que eu não gosto muito: o cara subiu na vida por conta do grupo - reconheça-se isso ou não, ele próprio ou seu grupo de fãs - e daí a altura sobre à cadeça dele. Daí ele se acredita auto-suficiente, sai por aí metendo a banca e inicia uma carreira solo - "solo", porque o nego não consegue fazer nada sozinho, ele só arranjou novos burros de carga. Nada a ver com o David, de fato, porque nem conheço a história dele. Eu só conheço a minha. E olhe lá.
Era um puta evento, cheio de atrações internacionais que eu tava doida pra ver. A gente tava junto, foi muito legal, nós éramos amigos. Daí, lá pro fim do evento, quando estava chegando a hora da atração principal, resolveram que era hora de ir embora. Quer saber? Nem fez diferença, fui embora na boa, nem fiz questão de ver no palco quem, afinal, era a estrela da noite. Esses são os fatos históricos.
Era eu e meu brother, que era justamente o Coverdale - e ele era MUITO brother, do peito mesmo, eu não tinha dúvidas. Essa é a constatação onírica.
Mistura tudo e leva ao forno: não quero olhar pra baixo e ver o palco sob os meus pés. Não quero olhar pro lado e vê-lo ao meu lado - quando, na verdade, eu sei que ele está em qualquer lugar, menos lá.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A supremacia do significante.

porque, afinal de contas, é só a partir da sua articulação que se produz o significado. Inconsciente real, concreto. Não há nada mais profundo que o superficial.
Contudo, isso que ele falava, não é o que eu vou falar.
Minha conclusão, que é outra, é: submissão ao objeto idealizado. No fim das contas, qualquer tipo de amor, de investimento libidinal, é narcísico.

Eu poderia sentir isso por qualquer um.

isso porque não importa quem, mas o quê. Pessoas são coisas. Coisas que sustentam - ou não - as imagens que eu construí das pessoas. E a partir daí, elas se tornam - ou não - importantes para mim. Inicia-se a metonímia do desejo - uma substituição significante consecutiva à outra, uma após a outra, sem parar, repetindo-se, dissimulando-se, o vestimento das coisas com as cores que eu vejo. Um significante após o outro. Uma pessoa depois da outra. Há tempo pra elaborar? Mas, se isso está aqui, não dá pra esperar: isso precisa de corpo, e logo, e agora, e de novo, e mais uma vez! Desejo fluido, líquido motor das engrenagens de nossas relações, de nossas realizações... e, por que não, de nossa estagnação.

03.05.2011

terça-feira, 29 de março de 2011

No fim das contas, não é que essa é mesmo a verdade?

Que grande bosta é a verdade.

Se eu tivesse sabido o que ela era, não teria procurado encontrá-la. E agora? O que eu faço com essa merda?

sábado, 12 de março de 2011

pastéis.

não é mais assim que se diz.

agora é pasteis.
agora são pasteis.

isso. tudo é pastel.

pastel de queijo. molho de pimenta. calabresa. pimenta calabresa. e pimenta do reino. e molho de tomate. e alho.

uhm... que pimentinha!

sexta-feira, 11 de março de 2011

uma pedra de gelo...

com limão e água.
sem açúcar, por favor.

já vem batido com leite condensado, é bem doce.

o que eu quero pra essa vida, afinal de contas? responda esta por mim, por favor, e prometo que, pra próxima, eu me programo com antecedência!