é claro que qualquer uma poderia ser para sofrer, dada a capacidade exclusivamente humana de rearranjar verbalmente as contingências, ora tornando-as reforçadoras, ora punitivas. em outras palavras, ainda mais pragmáticas, só depende de quem ouve. e de tudo aquilo de que quem ouve depende. mas isso é um detalhe.
foda-se. só quero fazer umas reflexões. não era esse o meu ponto.
como eu gosto da minha vidinha. finalmente a vejo com tanta poesia.
é uma reflexão cotidiana, na verdade. [parei no meio]
eu estava ouvindo adele (eu nunca disse que seria inédito ou surpreendente). é claro. é fácil que uma música composta por uma mal amada seja apreciada por muitas mal amadas que nela encontrarão um objeto extremamente apto a sustentar suas projeções.
dá aquela vontade de sofrer. sabe?
vou explicar: deve ser culpa do reforçamento negativo. você sofre muito, durante muito tempo, e insiste, saboreando deliciosamente cada vislumbrar da felicidade. mas, de fato, você não quer mandar ver. é só experimentar. no fundo você sabe porque. é porque quando você sabe que vai mandar ver você sabe que vai acabar. uma hora ou outra vai. quando você só fica experimentando, aos poucos e de vez em quando, você sempre consegue alimentar a esperança de que sempre que você quiser dar uma beliscada você vai conseguir. porque não tem previsão de acabar.
estou pensando num bolo de chocolate com menta, regado com leite.
leite...
eu li meu último texto. e ele fez todo o sentido do mundo.
a whiter shade of pale fala sobre luto. não sei porque. mas acho que é um suicídio.
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