sábado, 27 de março de 2010

Filosofia da varanda.

Não sei se é o período, se são os compromissos, as pendências ou os acontecimentos últimos. Deve ser um pouco de tudo. São saudades de casa, mas sem vontade de voltar. Parece que nenhuma companhia seria boa o suficiente. Sequer simplesmente boa.
Daqui posso ver vários núcleos de vidas funcionando. Vejo-os, relativamente perto, mas nada sei além de sua superficialidade. A música traz à tona o medo de, de longe, perder o que se tem muito próximo, ainda que à distância. Não gostaria de perdê-los, todos os que tenho. Mas, um pouco histericamente, também não quero abrir mão de tudo o que posso ter. Porque, afinal, o que teríamos no fim, não?
Que substância existe naqueles que não amo? Como poderei amar aqueles que não conheço, ainda mais quando eles só virão ao meu encontro porque não foram capazes de encontrar nenhum outro amor? Como ser altruísta e vender os sentimentos? Seria isso tratar levianamente os sentimentos, com uma frieza premeditada e argumentativamente justificável? Tratar daquilo que há de mais delicado com sutil brutalidade não me parece fácil. Não que eu gostaria que fosse fácil. Gosto de desafios, sei bem que posso morrer enfrentando-os. A grande questão é: será que realmente quero conseguir tudo isso? Será que quero despir-me de humanidade para, então, devotar-me a ela?
Ah, que saudades sinto da ignorância.

02 de dezembro de 2009

Conhecer-te pode ser extremamente desagradável. A angústia primitiva, o esquema instalado, o conflito primitivo, as condições de vida deprimentes, a realidade castradora ou o mundo indiferente.
Conhecer-te pode ser perigoso, pois quando olho com um pouco de atenção, vejo a mim mesma.
Isto é para que saiba o quanto conhecer-te pode ser pisar num terreno árido e hostil, como pode ser uma tarefa árdua. E, embora possa ser infértil e ingrata em algumas épocas, há de convir-se que é uma tarefa extremamente gratificante, mesmo que seja apenas durante aqueles pouquíssimos dias em que florescem algumas belas variedades. Coloridas, belas e efêmeras. Mas só por estas espécimes, já vale a pena.

02 de dezembro de 2009
Uma homenagem a todas as pessoas que já tiveram participação na minha vida. Aos amigos passageiros, aos permanentes e aos eternos. Aos amores, consumados ou não. Aos opositores discretos, aos inimigos esclarecidos e aos mentirosos. Enfim, a todos aqueles que contribuíram para que eu chegasse ao final do dia com algo novo sobre o que refletir. Para lembrar que gente é gente. Que as pessoas são importantes. E horríveis. E maravilhosas. E não fazem diferença alguma, afinal o Sol não deixará de brilhar por nenhuma delas. Para lembrar da nossa pequeneza. E da imensidão do ser humano. E, principalmente, de que é aos artistas que devemos a beleza, pois são eles que melhor compreendem a complexidade do ser tão simples que somos, traduzindo em coisas belas mesmo o que há de mais fétido e repugnante em nossa constituição. E pra lembrar que devo amar. E que devo viver. E para saber que tudo é uma ilusão. O mundo é um véu de ilusões, ao passo que ele só é o que é depois de filtrado pelos nossos sentidos. Ele pode ser o que queremos, se quisermos. Não devemos duvidar de nada. Não é porque a maioria vive da mesma forma que o critério deles é o que corresponde à realidade. Realidades são pontos de vista. A verdade é que é única.

25 de novembro de 2009
(plus adendos de hoje)

O quanto gostaria de sentir.

Hoje ele disse "eu gosto de judiar de você". Até que ponto vou deixar isso me afetar? Até que ponto pensarei sobre isso? A grande questão: até que ponto ele gosta disso?
Na verdade, sinto-me esvaziada daquilo que outrora me encheu de desgosto. O sutil limiar que distingue a dor do prazer. Não há estado de espírito que nunca tenha transitado por esse terreno incerto.
Pelo menos gosto de você, mesmo que seja como objeto sobre o qual posso depositar o que há de mau em mim.
Acostumarei-me a ser isso (acostumarei?), lançando mão de uma metáfora emprestada_ serei a latrina daqueles que amo. Em troca, talvez, gostem ao menos da minha função.

25 de novembro de 2009

01 de outubro de 2009

O primeiro dia do mês, do ano... em alguns casos, o da semana serve. Por que essa necessidade de marcar a primeira coisa, que destruirá todo o pra sempre das coisas que depois dela sempre virão? O lirismo me impele, numa noite quente do primeiro dia do mês, a escrever sobre alguma coisa pela primeira vez, mas esforço vão, não há outra coisa senão a brisa e a quebra das breves expectativas.
Algo latente, algo morno, algo que clama, algo que grita, algo que sufoca. Requer voz, requer manifestação, deseja platéia. Calor, barulho, suor, frio e solidão. E, ainda assim, é preciso escrever. Começos anseiam por promessas. Eles precisam delas como nós de ar. Começos demandam juras. Eles nada podem sem uma grande esperança. Promessas existem apenas para não serem cumpridas, caso contrário não seriam necessárias.
O costume é o fracasso da reflexão. Quão volátil é o aprendizado que se tira duma dor intensa? É possível elaborar sem destruir-se completamente? Pendências são dolorosas, mas não tanto quanto resoluções. Elas vem e vão, mas é certo que teremos companhia em algum momento. Com a resolução, tudo quanto é pra sempre desaparece.

about me

Eu vivo para aprender. E estou aprendendo a viver. Todo dia é um infinito de possibilidades. Às vezes, as abraçamos, outras, apenas fazemos vista grossa. Mudar de opinião é um dom do ser humano, quem sabe o maior deles. E todos os dias eu acordo outra pessoa. Posso sentir saudades de quem fui, ter expectativas quanto ao que serei um dia, mas sei que sou simplesmente uma complexidade em pleno e eterno desenvolvimento. A ebulição do presente que não existe por si só. E eu faria isso novamente, exatamente da mesma forma, um milhão de vezes. Mais ainda, quantas vezes me fosse possível, só depende de várias coisas. E estou deste lado. Mas, se você olhar com atenção, também estou do lado de lá. Só que, na verdade, isso é o que você vê. Não estou em lugar nenhum... estou dentro de mim e, com certeza, aqui você não pode ver.

obs: velho about... bem velho.