sábado, 27 de março de 2010

01 de outubro de 2009

O primeiro dia do mês, do ano... em alguns casos, o da semana serve. Por que essa necessidade de marcar a primeira coisa, que destruirá todo o pra sempre das coisas que depois dela sempre virão? O lirismo me impele, numa noite quente do primeiro dia do mês, a escrever sobre alguma coisa pela primeira vez, mas esforço vão, não há outra coisa senão a brisa e a quebra das breves expectativas.
Algo latente, algo morno, algo que clama, algo que grita, algo que sufoca. Requer voz, requer manifestação, deseja platéia. Calor, barulho, suor, frio e solidão. E, ainda assim, é preciso escrever. Começos anseiam por promessas. Eles precisam delas como nós de ar. Começos demandam juras. Eles nada podem sem uma grande esperança. Promessas existem apenas para não serem cumpridas, caso contrário não seriam necessárias.
O costume é o fracasso da reflexão. Quão volátil é o aprendizado que se tira duma dor intensa? É possível elaborar sem destruir-se completamente? Pendências são dolorosas, mas não tanto quanto resoluções. Elas vem e vão, mas é certo que teremos companhia em algum momento. Com a resolução, tudo quanto é pra sempre desaparece.

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