terça-feira, 31 de agosto de 2010

26 de agosto de 2010. Um tempo depois.

Imagino o suicídio como uma implosão alternativa, explodindo pra dentro o que não consegue ir pra fora. E vejo, todos os dias, os suicídios paliativos, sutis e sucessivos.
Eles podem se manifestar como implosões explosivas, que poderão ser caracterizados como uma síncope, outra espécie de surto ou nervosismo, mas também como explosões surdas e poderosas, que daí serão caracterizados, muito provavelmente, como uma depressão ou como apatia e baixa responsividade.
No fim, o nome que damos não muda o que a coisa é. Ela é. Mas pode ser que mude o modo como nos relacionamos com ela. E isto pode ser um problema, porque acabamos nos esquecendo de que até mesmo o ataque pode ser um pedido de socorro.
Como deveríamos nos relacionar com a nossa própria destrutividade? Aniquilação de si, anulamento do outro e fim dos problemas? É bem verdade que concentro tudo o que me cabe nos relacionamentos que estabeleço e não nas coisas que obtenho, produzindo relações criativas - porque eu me canso fácil. Insatisfeita condição humana.

Nenhum comentário: