Eu quis gostar de você - mas porque você representou coisas boas para mim, coisas pelas quais só posso agradecer. Muito embora comece a por em questão tudo o que foi dito ou o que foi feito, creio que após curada a ferida (provavelmente narcísica), tudo quanto foi revolta será compreendido como imaturidade para lidar com a frustração. Aqui estou eu, despida de várias camadas de hipocrisia, procurando compreender a angústia - quero, de física, torná-la etérea, superior... como parte de uma estratégia de defesa, de resguarda para a parcela orgulhosa de mim que não está ainda amortecida.
Não creio que até agora tenhamos vivenciado um relacionamento sincero. Era eu me relacionando com o que construí como sua imagem para mim com o pouco que recebia de matéria prima misturado a algumas influências embasadas nas suas atitudes, além de algumas expectativas criadas unicamente pelo meu desejo, e, provavelmente, o mesmo para você. Não sei quem eu sou para você. Não sei exatamente quem você é para mim, mas tenho ao menos uma ideia... tudo o que fiz foi no sentido de tentar mostrar para você essa ideia, para que, ciente dela, você pudesse me mostrar o que correspondia à realidade e o que não, de modo que, a partir disso, pudesse começar a me relacionar com você, de verdade - isto é, se depois de desconstruída a fantasia ainda houvesse interesse nisso. Não sei também se fui bem sucedida nessa minha intenção de manifestação. Mas, como infelizmente há pouquíssimo retorno, não me sinto estimulada a continuar, justamente porque não sinto reciprocidade nesse sentido. Acho que você ainda se interessa mais pela fantasia. Já não é mais o tipo de coisa que quero para mim. O que tenho são palavras, mas palavras não necessariamente comunicam sentimentos: são diferentes espécies, às quais não é possível o contato direto. Às vezes elas se aproximam muito, sendo capazes de produzir significativas reações no mundo que permeiam, mas... conseguir atingir tal patamar não é um simples pressuposto, é questão de muito esforço.
Sinto que o essencial já foi dito e, para que o discurso não perca sua função, o restante daquilo que vem à tona deve ser suprimido.
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Ato falho... é, amigo, talvez seja mesmo tentador assumir uma postura heróica.
Não creio que até agora tenhamos vivenciado um relacionamento sincero. Era eu me relacionando com o que construí como sua imagem para mim com o pouco que recebia de matéria prima misturado a algumas influências embasadas nas suas atitudes, além de algumas expectativas criadas unicamente pelo meu desejo, e, provavelmente, o mesmo para você. Não sei quem eu sou para você. Não sei exatamente quem você é para mim, mas tenho ao menos uma ideia... tudo o que fiz foi no sentido de tentar mostrar para você essa ideia, para que, ciente dela, você pudesse me mostrar o que correspondia à realidade e o que não, de modo que, a partir disso, pudesse começar a me relacionar com você, de verdade - isto é, se depois de desconstruída a fantasia ainda houvesse interesse nisso. Não sei também se fui bem sucedida nessa minha intenção de manifestação. Mas, como infelizmente há pouquíssimo retorno, não me sinto estimulada a continuar, justamente porque não sinto reciprocidade nesse sentido. Acho que você ainda se interessa mais pela fantasia. Já não é mais o tipo de coisa que quero para mim. O que tenho são palavras, mas palavras não necessariamente comunicam sentimentos: são diferentes espécies, às quais não é possível o contato direto. Às vezes elas se aproximam muito, sendo capazes de produzir significativas reações no mundo que permeiam, mas... conseguir atingir tal patamar não é um simples pressuposto, é questão de muito esforço.
Sinto que o essencial já foi dito e, para que o discurso não perca sua função, o restante daquilo que vem à tona deve ser suprimido.
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Ato falho... é, amigo, talvez seja mesmo tentador assumir uma postura heróica.
Dias 2 e 3 de abril.
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