O que é a saudade senão uma falta da oportunidade de sentir uma emoção? Ela pode ser vista, também, como um intensificador de sentimentos, uma emoção ruim, um problema matematicamente equacionável ou o que seja, mas, saudade, basicamente, constitui uma ausência. A despeito das vertentes da saudade, a que sinto é insubstituível: jamais poderá deixar de ser saudade, assim como jamais deixará de estar presente. É uma saudade que posso sentir no futuro; volta e meia ela vem se reafirmar em meus pensamentos. Não que meus pensamentos, por sequer um instante, deixem de pensar essa saudade, tão intensa e genuína ela é, mas eles são constantemente tomados por outras ocupações que, sem nenhum pudor, vêm desviá-los da tamanha ausência sobre a qual meditam. Se o mundo não fosse tão injusto e alheio aos sentimentos de todos nós, permitindo que vivêssemos a todo instante aquilo que realmente importa viver, ele me permitiria viver, indefinidamente, essa saudade, sendo que ela ocuparia cada contração muscular, tornando todo tênue inspirar e expirar conscientes de sua presença, além de dedicados a lhe servir, arejando o cérebro o suficiente para seu mais pleno funcionamento, o que o tornaria capaz de chegar o mais próximo possível da compreensão de sua magnitude. Essa saudade não tem fim, não tem limites, não tem virtudes. Não é do tipo que, à medida que vão transcorrendo os anos, desvanece, mas sim daquele que se intensifica a cada segundo, ficando mais forte e marcante, menos discreto e mais pronunciado. É a saudade consciente, saudade convicta, saudade sincera. Saudade da perda, da primeira verdadeira perda. É a saudade da conscientização. Saudade da evolução. Saudade da vida.
A primeira constatação de que o amor não é eterno. Isso não pôde ser ensinado pelos livros, apenas pela dor da real constatação.
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